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Tréplica à réplica de Luis Henrique

por · dezembro 10, 2016

Por Zwinglio Rodrigues

Escrevi O Arcanjo Miguel não é o Senhor Jesus Cristo contestando o ensino adventista que diz o contrário. Defendida por Ellen G. White e outros renomados pregadores dentro do círculo adventista, tal doutrina estabelece uma confusão entre as pessoas Jesus Cristo e Miguel, este, um arcanjo dentre outros. Ou seja, o ensino adventista toma uma criatura por Deus.

Eis que surgiu uma réplica! Interessante não partir de um adventista, mas de alguém que também não adota a conclusão adventista. Então, ele replica o quê? Diz Luis Henrique: “porém irei mostrar que tal posição (do adventistas) trata-se apenas de uma opção exegética sem agravo algum a cristologia ortodoxa.” É isso mesmo. Luis Henrique não concebe existir agravo à cristologia ortodoxa confundir um anjo com Jesus Cristo, “[…] Deus, único soberano e Senhor nosso […]” (Jd 4). Meu interlocutor argumenta que a confusão adventista perde importância se os adventistas mantiverem a confissão na Deidade de Cristo. Difícil dormir com esse barulho quando as referências bíblicas onde Miguel é citado, em nenhum momento ele é tomado como sendo o Soberano Senhor Jesus Cristo ou a ele é atribuído algum atributo divino.

Sem mais delongas, partamos para a tréplica.

O primeiro parágrafo replicante é fruto de uma leitura apressada ou de má fé. Minha associação da IASD com as Testemunhas de Jeová, e a atribuição a elas de “seitas” tem haver com meu conceito sobre ambas pensando sobre um escopo doutrinal mais amplo. A IASD não é uma seita “apenas” por confundir um arcanjo com Deus e Deus com uma criatura, mas é também por causa de ensinos como “o bode emissário”, “observação obrigatória do sábado”, “doutrina do santuário”, “Cristo tem uma natureza pecaminosa”, entre outros. Mas, devo dizer que apenas o ensino absurdo da deificação de Miguel e da angelização de Jesus Cristo (resultado último se a doutrina for levada às últimas consequências), para mim, basta para faz recair sobre a IASD o epíteto “seita”. Pelo menos, as TJ de pronto negam a divindade de Cristo. A meu ver, o primeiro parágrafo do replicador é dispensável e não acrescenta e nem diminui em nada meu primeiro texto.

O segundo parágrafo é outro que nada acrescenta. Mas vamos lá. Luis Henrique diz: “Adiante Zwínglio declara que tal entendimento é falso, porém não justifica imediatamente a sua declaração […]”. Sim, é falsa a associação entre as citações referentes a Miguel e as citações referindo-se ao Anjo do Senhor (Teofania). Razão básica: acerca desse último, temos indicações claras por parte de autores canônicos de se tratar de uma manifestação Divina quando no caso do primeiro isso nunca ocorre. Muito pelo contrário! Em Judas, por exemplo, Miguel tem medo de proferir juízo contra satanás como demonstrei no texto anterior. Só faltam dizer tratar-se de um caso de antropopatismo.

Não me espanto com o fato de teólogos vinculados a importantes ramos protestantes terem ensinado essa aberração. O espanto impresso em meu primeiro texto é para o leitor desprovido das informações. Mas, note: Luis Henrique também não está de acordo com esses teólogos. Suponho que seja por razões hermenêuticas. Estas são as minhas razões. Ora, não importa de onde venha o falso ensino, em ele surgindo, deve ser rejeitado e denunciado. Um ensino como esse em debate constitui-se num erro tão crasso que não merece ser taxado de outra coisa senão de heresia (depois volto a esse vocábulo). Nós não estamos tratando de intérpretes das “horas livres”, mas estamos falando de experientes comentadores, versados nas línguas originais, sabedores, por exemplo, que Judas, ao descrever o versículo 9, tinha em sua retina livros pseudepígrafos e neles Miguel não passa de um ser criado. Não faltavam a esses estudiosos os instrumentais próprios para uma análise acurada levando a um resultado final condigno e coerente com os melhores percursos hermenêuticos. Esse ensino é sim heterodoxo, pois, repito, em última análise, confunde criatura com Criador. Ora, qual formulação credal e /ou cristológica aceitas universalmente entre os cristãos resvala num resultado final como esse que contesto veementemente? Nenhum! Então, trata-se sim de um ensino heterodoxo. Há heterodoxia em Clarke, Henry, Gill, Lange, Wesley, et alli? Nesse caso, sim! Lembrando que Calvino, a esse respeito, suspendeu o juízo.

Lastimo também pelo terceiro capítulo devido ser desnecessário. Acho que Luis Henrique, na ânsia de defender a IASD, não fez uma leitura compenetrada do meu texto.

Ele replicou:

Em seguida, ele faz a asseveração de que não é possível associar Miguel a Cristo à parte de outras cristofanias envolvendo o Anjo do Senhor. Não há qualquer exposição de qual critério foi usado para fazer esta distinção entre entender o Anjo do Senhor como cristofania e Miguel não […]

Ora, tá dito lá que nos casos do Anjo do Senhor o autor canônico trata-o como divino e Miguel nunca é tratado assim. Eis minha fala:

Este Anjo do Senhor tem sido compreendido como uma teofania, pois ele aparece no texto veterotestamentário sempre com atribuições e qualificações divinas (Gn 16:7ss; 21:17; 22:11, 15ss; Ex 3:6; 13:21-22; Nm 22:22; Js 5:14; Jz 2:1-5; 1Cr 21:15; Ez 1:10-13).

[…] não existe um autor canônico que diga que “arcanjo Miguel” seja um título de Jesus; que apresente o arcanjo Miguel como divino; que atribua ao arcanjo Miguel atributos divinos, como no caso do Anjo do SENHOR do Antigo Testamento […]

O critério é a atribuição de atributos divinos ao Anjo do Senhor e nenhum a Miguel. Um critério esmagador quando se pretende primar por boas regras de interpretação. Por isso, esse terceiro parágrafo do meu interlocutor nada diz, quer para mais, quer para menos.

O quarto parágrafo, versando (também) sobre a literatura rabínica, os apócrifos e pseudepígrafos, expõe relevância para a conversa. Primeiro: não sou seletivo na escolha das referências que apontam Miguel como um ser criado, mas valho-me das fontes de que disponho. A acusação de que pré-selecionei e portei-me desonestamente do ponto de vista intelectual não passam de um argumentum ad hominem. Agora, soa desonesto dizer “Contudo, Zwínglio admite que parte da tradição judaica viu em Miguel uma figura messiânica”. Ora, fiz apenas referência à Cabala e nada mais. Não me referi a “parte da tradição judaica” em momento algum.

Segundo: o fato de citar a Cabala demonstra minha disposição para com a sinceridade e a maior transparência no trato da questão.

Terceiro: a razão de trazer evidências externas para o debate nada tem a ver com uma tentativa de apresentar textos não inspirados como normativos. Isso deve ser óbvio para quem me conhece. O fator preponderante para essa abordagem é o desaguar na epístola de Judas, texto que, indubitavelmente, foi escrito tendo como pano de fundo os pseudepígrafos de Enoque e Ascensão de Moisés. Quando Judas usa esses aportes, impele todo cuidadoso intérprete a uma consulta dessas fontes para alcançar um escopo mais amplo do que ele (o autor canônico) está dizendo. Nessas fontes Miguel não é uma Teofania. Logo, a tratativa do escritor bíblico em relação à personagem em foco é a mesma do escritor não canônico. Se não fosse, teríamos indicações claras quanto a uma mudança de perspectiva, coisa impossível de ser encontrada na epístola de Judas (voltarei a esta).

Quarto: Luis Henrique disse que foi seleto na escolha das fontes judaicas. Me expliquei sobre isso. Mas, ele não apresenta nenhuma que seja “favorável” à tese adventista. Um leitor cuidadoso notou que meu texto foi postado em 13 de agosto de 2015. De lá pra cá, meu leque de informações aumentou. Disponho de outras fontes que são, digamos, a meu favor e outras “favoráveis” aos adventistas. Por qual razão ponho entre aspas “favoráveis”? Por que o uso dessas fontes é tendencioso e eivado de recortes. Isso é demonstrável. Por essa razão, também, no final do meu primeiro texto eu digo que ele pode ser ampliado. Mas, aguardemos desdobramentos. Se for o caso.

Do quinto parágrafo ao sétimo, requer maior cuidado e precisão cirúrgica. Tentarei ir direto aos pontos.

Os quinto e sexto parágrafos não me importunam. Não vejo neles razão para respostas.

Confesso que o sétimo parágrafo também não me requer nenhum tipo de resposta. Estamos de acordo. Talvez, uma pincelada aqui e outra ali da minha parte para ajustar as coisas conforme meus esquemas mentais. Mas, nada que alterasse o âmago do que meu interlocutor expõe.

O oitavo parágrafo, esse sim, me move a dizer algo. Na verdade, a repetir algo dito lá no outro texto e aqui. Luis Henrique diz:

Assim sendo, não há agravo algum para a divindade de Deus se ele quis se manifestar em forma de arcanjo e não de anjo. Sequer deveríamos estar debatendo sobre esta questão cristológica, ponto no qual adventistas confessam igualmente a nós que Cristo é Deus-Homem.

O problema, a priori, não é Deus ser chamado de “anjo”. Ora, Ele foi e é chamado de “homem”. É óbvio e ululante que nada disso é priblema. A questão é: quando Deus é chamado de “homem”, atributos divinos acompanham o “homem” chamado de Deus? Quando um “anjo” é compreendido como sendo Deus, há razões claras e inequívocas, escrituristicamente falando, para aceitarmos o “anjo” como sendo Deus? Esse é o ponto! Desafio Luis Henrique a mostrar escrituristicamente Miguel sendo adorado ou sendo admitido como Deus assim como é o Anjo do Senhor e Jesus de Nazaré. “Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? (Hb 1:5).

Não, Luis Henrique! Os adventistas não “confessam igualmente a nós que Cristo é Deus-Homem”. Não como eu! Em hipótese alguma sirvo a um “Deus-Homem” que possa ser confundido com uma criatura. A rigor, esse “Deus-Homem” não existe, mas sim um “deus-homem”. Favor me tirar desse pacote.

O nono parágrafo me fez ter certeza, finalmente, de que Luis Henrique tergiversa e esforça-se por fazer recair sobre mim coisas que não disse, pois não as pretendi dizer. Essa questão se Judas tomava como fato o caso envolvendo o corpo de Moisés é irrelevante. Aí, como quem está me contraditando, ele me repete: “o uso deste relato cumpre a função pastoral de alertar a sua comunidade sobre a difamação/blasfêmia das autoridades, dentre as quais está o próprio demônio.” Trabalhei isso no primeiro texto de modo ainda mais minucioso que meu interlocutor.

Ele continua:

O problema é definir qual a interpretação que Judas fez deste texto espúrio. Judas usa Miguel com um anjo que não blasfemou o diabo ou o aborda cristologicamente usando Miguel como a figura messiânica que não difama o diabo e vence a luta? Jesus na sua tentação no deserto não blasfemou contra o diabo e usou a palavra de Deus para vencê-lo. Zwínglio tenta afirmar que no texto de João 12.31 Jesus condena o diabo e que isto é seria equivalente ao “juízo infamatório” de Judas. Discordo completamente desta interpretação porque Deus não blasfema, calunia ou difama a ninguém no seu exercício de juiz do universo. Há uma diferença radical entre proferir juízo sobre algo ou alguém e proferir um juízo com a qualificação de “infamatório”.  A NTLH deixa muito claro esta questão ao traduzir assim: “Miguel não se atreveu a condenar o Diabo com insultos.” (Jd 1.9).

Isso aqui tá confuso! Primeiro, entendo que Luis Henrique quer dizer que Miguel não é o Senhor Jesus Cristo. Depois, parece que sim. É melhor ele explicar do que eu ficar tentando adivinhar.

Luis Henrique (parece) está dizendo que eu disse que Deus blasfema. Que isso! Eu disse:

Não há nenhum sinal por parte de Judas dando a entender que ele acredita ser Miguel o próprio Senhor Jesus Cristo. Isso fica evidente quando ele escreve: “não se atreveu a proferir juízo de maldição contra ele.” Ora, se Miguel fosse o próprio Senhor Jesus Cristo o autor jamais teria usado tais palavras, pois isso seria blasfêmia visto que o próprio Deus pode decretar livremente juízos contra satanás.

Miguel não se atreveu a impetrar juízo contra satanás, pois isso é próprio da divindade. Errei?! Francamente, não sei se entendi o que quis meu interlocutor.

De acordo com lexicógrafos consultados, a palavra grega para “maldição” em Judas 9 é “krisis, decisão (sujeito ou objeto, a favor ou contra). (B) juízo realizado, sentença proferida (Jo 5:30; 2 Pe 2:11; Jd 9)” (James Strong). Segundo o léxico, o que Miguel fez foi não se sentir no direito de “pronunciar juízo de maldição” (Almeida Revista e Corrigida). O arcanjo, ser criado, não proferiu sentença contra satanás. A razão disso explico no primeiro texto. Mas, Jesus, como em João 12:31, proferiu juízo sim contra o diabo. O Dicionário Vine explica: “decidir judicialmente”. Miguel sente-se impossibilitado de decidir judicialmente contra satanás. Por isso, remete o caso para o Grande Juíz, distinto de qualquer arcanjo, claro. Interessante é que Miguel, ao dizer “o Senhor te repreenda”, usando o verbo “repreender”, remete a uma prática comum do Senhor Jesus Cristo como expressa em Mateus 17: 18: “E repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele […]”. O verbo é epitimao usado nos Sinópticos frequentemente pelo Senhor Jesus Cristo ao repreender as forças malignas.

O décimo parágrafo requer mais cuidado. Luis Henrique diz:

Não estou tão seguro quanto Zwínglio em sua crítica ao autor adventista sobre usar Zc 3.2 na defesa do seu posicionamento. Inclusive aqui temos a figura do “Anjo do Senhor” usando o nome de Deus para expulsar o Diabo, algumas traduções fazem opções diferentes para este versículo deixando a repreensão a cargo do SENHOR (ARA?), ou do anjo do Senhor (NVI), ou do Anjo do Senhor (NTLH), ou do Anjo de Iahweh (BJ). Certamente este é um texto que traz várias possibilidades dentre as quais a cristofania do Anjo do Senhor repreendendo Satanás pode ser lida. Teria em mente Judas usar o texto espúrio com o mesmo objetivo de Zc 3.2? Se o Anjo do Senhor sendo Jesus manifestado no AT pode usar o nome de Deus para repreender o diabo qual o impedimento para que Judas usasse o trecho de um pseudoepígrafo da mesma forma?

Note que as perguntas não são retóricas. Ou seja, Luis Henrique de fato não está seguro… e de nada. Esse parágrafo é uma crítica a isso:

Em Zacarias 3:2 que diz “[…] o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreende, ó Satanás […]” temos uma expressão estranha. Porém, está claro que é o Senhor que diz o que está escrito. Esta estranha expressão significa, simplesmente, “Eu, o Senhor, te repreendo”. Em Judas 9 não há outra maneira de se ler além de “o Senhor te repreenda”.

O grande diferencial entre o texto de Zacarias 3:2 e o de Judas 9 é que no primeiro não existe nenhum constrangimento em se repreender a Satanás, ao passo que no segundo Judas diz que o anjo em questão “não se atreveu” em fazer isso. Podemos dizer que no primeiro caso houve um “atrevimento” porque o nível de autoridade era divino, inimitável, ao passo que no segundo não havia nível de autoridade suficiente para tanto e por isso há um direcionamento a uma segunda Pessoa.

Ora, acima admito que o próprio Deus remeteu a Deus a repreensão ao diabo. Fui claro ao dizer “temos uma expressão estranha”. Luis Henrique no excerto logo acima, diz como o texto poderia ser reescrito. Fiz o mesmo demonstrando ser plausível a reescrita da expressão ficando ela assim: “Eu, o Senhor, te repreendo”. Alguma objeção a isso Luis Henrique? Justifique-se.

Ainda nesse parágrafo, Luis Henrique diz que devo tratar o uso da palavra grega tolmao (atreveu) dentro do livro pseudepígrafo. Ora, estou interpretando as Escrituras Sagradas e devo me ater aos princípios interpretativos mais seguros para fazer sobressair a intenção autoral do escritor canônico. Parto do método histórico-gramatical. Interpretei tolmao levando em conta a regra básica que orienta inicialmente tomar a palavra em seu sentido usual e comum. Parto do procedimento léxico-gramatical. Sigo autores como Berkhof, Ramm, Virkler, Pentecost, Sproul, Bentho, Tenney, et alli.

Eis que surge a suposição do uso da figura antropopática. Cabe a Luis Henrique o ônus da prova ao defender que tolmao, usado por Judas, sugere um antropopatismo. Faça-nos esse favor Luis Henrique.

O décimo primeiro parágrafo é espantoso. Foi dito:

A força do argumento a respeito das autoridades superiores estaria num arcanjo não blasfemar contra o Diabo ou no próprio Cristo não blasfema-lo? Presumindo que os escritores do NT são cristocêntricos, então o argumento de Judas usando Miguel como Cristo teria um impacto muito maior sobre a sua comunidade do que simplesmente um arcanjo não blasfemando contra o Diabo, que é também um ser angelical. Judas parece seguir uma sequência dos feitos de Cristo, o qual libertou o povo v.5, trancafiou os anjos rebeldes v.6, Miguel (Cristo?) não blasfemou contra o Diabo v.9, exercerá juízo sobre os ímpios v.15.

Com esse parágrafo alguém duvida que Luis Henrique está por um fio para juntar-se (juntou-se, mas não tem lastro pra se suster?) aos adventistas nessa questão? Isso, apesar dele dizer lá nos inícios que não concorda com a conclusão herética adventista. Faço questão de ser detalhista nesse momento.

A Trindade aparece na epístola de Judas (vv 1, 4, 14, 17, 19, 20, 21, 25). Todas as referências onde Jesus Cristo aparece chamado por seu nome acompanhado do título Ungido, isso é feito de modo claro, sem sombras e ratificando cristalinamente sua Deidade. Vejamos.

Versículo 1 – Está alinhado com o Pai e é o conservador dos salvo.

Versículo 4 – É chamado de Deus, Senhor e Soberano.

Versículo 14 – Ele vem com suas miríades de santos.

Versículo 17 – Os apóstolos são dEle.

Versículo 21 – Ele oferece misericórdia para a vida eterna.

Versículo 25 – Ele é Deus, Senhor nosso, Salvador nosso.

Notamos francamente o autor falando do Senhor Jesus Cristo e revelando abertamente sua Deidade. Aí, chegando no versículo 9, Judas, segundo Luis Henrique e a trupe adventista, sugerem que Judas baixa a qualidade de seu trabalho ao referir-se a Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, chamando-o de arcanjo Miguel, um deus reticente, medroso, sentindo-se impotente e inabilitado para proferir sentença de juízo contra satanás. Ora! Em lugar algum Judas indica estar se tratando de uma mudança de título. Em lugar algum Judas deixa transparecer que era crença comum naquele tempo admitir nas comunidades cristãs que Jesus Cristo e o arcanjo Miguel são a mesma Pessoa. Portanto, sua mudança abrupta para “arcanjo Miguel” seria entendida naturalmente como se estivesse tratando do Soberano Jesus Cristo. Tomando “o Senhor” do versículo 5 como se referindo a Jesus Cristo (ver v 4), lemos no verso 6 Judas dizendo que Ele reservou em prisão anjos que não guardaram seu principado. Anjos de alta hierarquia (estou pensando no termo “principado”) foram detidos pelo Senhor. Mas, no versículo 9 Ele agora tem que tomar cuidado pra não arranhar a posição de autoridade angélica (caída) do diabo. Não há regra hermenêutica saudável e segura que dê razão ao que diz Luis Henrique.

Um pouco mais de hermenêutica. A boa hermenêutica, aquela que foge do método alegórico, que está interessada na intenção autoral, que prima pela exegese e abomina a eisegese, dirá que, caso insista alguma obscuridade no objeto sob análise (que não é o caso de Judas 9), devemos ir às passagens paralelas. Uma delas, e fundamental, que refere-se ao ser criado, arcanjo Miguel, é Daniel 10:13 (voltarei a esse texto). Ali, com toda clareza, Miguel é apresentado como um dentre outros iguais. Interessante é que no versículo 21 de Daniel 13, Miguel não luta diretamente com Gabriel contra o príncipe da Pérsia, mas une forças. Maravilha! Deus unindo forças numa batalha. É porque é fraco? Deus dá forças, sustenta, usa, elege cooperadores, mas dispensa unir forças. Ele basta quando tem que atuar diretamente. Ou não? Demonstrei isso no primeiro texto, mas, adiante, volto a essa tratativa. Depois, podemos ir a Apocalipse 12:1 lugar onde Miguel lidera seus pares numa batalha cósmica contra forças angelicais caídas sob a liderança do “dragão”. Há nessa referência algum sinal de Deidade do arcanjo? Luis Henrique, meu nobre, deixa de sonolência e arrazoe apresentando, ao mínimo, argumentações hermenêuticas simples como essas que ofereço.

Põe o pé no chão e acorda pra vida meu caro!

“Presumindo que os escritores do NT são cristocêntricos, então o argumento de Judas usando Miguel como Cristo teria um impacto muito maior sobre a sua comunidade do que simplesmente um arcanjo não blasfemando contra o Diabo, que é também um ser angelical.” Não Luis Henrique! Se Judas estivesse confundindo o arcanjo Miguel com o Soberano Senhor Jesus Cristo a comunidade à qual ele se dirige ficaria estupefata e repeleria essa mentira. Não há nenhuma evidência interna e/ou externa que demonstre ter existido alguma comunidade cristã no primeiro século que admitisse isso. É mais fácil sustentar algum tipo de veneração a Maria na igreja antiga, pois, pelo menos, nas catacumbas de Roma existem pinturas indicando isso.

Esse seu último excerto citado acima é de uma torpeza insustentável irmão. Até porque, você disse não concordar com as conclusões adventistas. O que você está pretendendo mesmo? Não pense que estás se colocando no lugar dos adventistas e estás fazendo um bom trabalho “tentando” pensar como eles. Tá ruim! Tamanha é sua falta de coerência e seriedade interpretativa ao longo de todo o texto que começo a achar que se trata de uma coisa pessoal, relacionada a mim. Se não (espero que não), recolha-se amigo, pois seus esforços para defender uma heresia e um grupo herético estão depondo contra você.

O décimo segundo parágrafo traz o seguinte comentário:

[…] echad não possui necessariamente o aspecto de número cardinal ou ordinal, a palavra também pode ser um adjetivo (e.g. só, único, singular…) ou artigo indefinido. O uso como adjetivo parece ser o caso aqui para echad porque Miguel é um ser único e inigualável com a tarefa bem específica de proteger a nação de Israel.

Mostrei como alguns lexicógrafos e comentaristas tratam essa palavra (e também rison) no primeiro texto. Não os repetirei aqui. Mas, cabe a Luis Henrique desmontar a conclusão deles de que echad em Daniel 10:13 refere-se a um numeral. Não basta dizer que a palavra tem outro sentido, mas tem que evidenciar porque esse sentido em detrimento daquele. Procurei o hebraista Dr. Vaillati e pedi um comentário dele sobre o vocábulo em questão. Eis a resposta enviada:

Olá, Zwinglio. Tudo bem? O adjetivo ’echad (“um”) na frase ’achad hassarim hari’shonim de Dn 10:13, aparece na sua forma construta em hebraico, e, portanto, significa literalmente “um de”, denotando a ideia de “um entre vários”. Desse modo, a tradução literal da frase ’achad hassarim hari’shonim fica assim: “um dos primeiros príncipes”. Assim, Miguel é descrito em Dn 10:13 como “um entre” outros príncipes celestiais do Senhor. Abraço!

Luis Henrique sabe como chegar até o Dr. Vaillati. Sugiro que dialogue com o especialista e tire as dúvidas. Não sei se meu interlocutor tem domínio da gramática hebraica para concluir o que concluiu. Eu não sou hebraísta. Que faço? Sigo os especialistas.

Meu contestador diz mais:

Entender echad apenas como número pode gerar alguns problemas como na oração do Shemá (Dt 6.49), na qual YHWH é Um (i.e. único) e não um deus entre outros deuses.

Se usarmos os instrumentais hermenêuticos adequados os sentidos de echad, quais sejam, substantivo, adjetivo, advérbio, numeral cardinal ou ordinal, não serão tomados de forma desajeitada em lugar algum. Exercite-se Luis Henrique e verás que echad em Daniel 10:13 não tem o mesmo sentido que dentro do Shemá. Mãos à obra rapaz!

Sobre rison, vale o mesmo arrazoado acima. O Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento diz: “ri’shôn. Primeiro, inicial. Esse adjetivo, que funciona como numeral ordinal […]” (p. 1388). Luis Henrique sentencia: “A palavra hebraica rishon como destacado por Zwínglio possui tanto o significado de primeiro (e.g. “primeiro dia”, Êx 12.15), mas também o mais proeminente (e.g. “Eu, o SENHOR, o primeiro”, Is 41.4).” Recorramos à HER-ME-NÊU-TICA e cheguemos ao sentido cabível. Ficar dizendo pode ser assim ou daquele jeito é tergiversar. Se Luis Henrique quer entender rison referente ao arcanjo Miguel como aplicado em Isaías 41:4, e sua conclusão lógica, a responsabilidade é dele.

O décimo terceiro parágrafo traz à baila a terminologia heresia. O contraditor escreve:

Na crítica de Zwínglio a respeito da posição de Matthew Henry favorável a identificar Miguel como uma cristofania, ele usa a palavra heresia a fim de qualificar a posição do comentarista. Devo aqui refrescar a memória do pr. Zwínglio sobre o significado de heresia, a saber, negação de um ou mais artigos de fé fundamentais em que o negador o faz por ignorância ou com conhecimento de causa.

O termo heresia significa algumas coisas e pode ser usado variegadamente. Necessariamente, o termo não tem uma conotação negativa. Pelo menos etimologicamente falando. Mas, o usamos para denotar um sentido negativo contrariando a ortodoxia. Pode-se falar de heresia material, heresia formal, partidos, seitas. Tem o caso da negação de um artigo de fé, como disse meu interlocutor. Ora, em ambos os textos que escrevi sobre o assunto em foco, meu exercício é demonstrar a impossibilidade de ser inocente ao concluir que o arcanjo Miguel seja o Senhor Jesus Cristo. As Escrituras são claras nesse mister. Também consiste em mostrar que há uma conclusão última que remove uma das colunas da fé que é a Divindade do Soberano Senhor Jesus Cristo. Ah!, mas Henry não nega a divindade de Jesus Cristo. Uma negação pode ocorrer de diversas maneiras. Henry foi ignorante ou tinha conhecimento de causa de que seu percurso hermenêutico (não tive contato com esse percurso) era esdrúxulo? Sei que ensinou uma heresia, portanto, nesse quesito, é qualificado como um herege por mim. Digamos que nele havia um átomo de heresia. Diferente do adventismo que, embora tenha aparência de piedade, nega a fé com seu amplo escopo de falsas doutrinas.

No mesmo parágrafo, temos essa pérola: “Não há qualquer concílio ecumênico ou confissão de fé protestante que postule a obrigatoriedade de crer que Miguel não é uma cristofania do AT.” Concílios e confissões de fé se submetem as Escrituras e não o oposto. A Bíblia não ensina que Miguel e Jesus Cristo são as mesmas pessoas. Mas, o contrário sim. Por essa razão, concílios e confissões de fé não tratam nem de soslaio essa aberração.

“Zwínglio diz que Jesus “jamais assumiu uma natureza angélica (Hb 2:16).Isso mesmo! “Também aproveito para elucidar ao pr. Zwínglio que no conceito de cristofania ou de teofania a divindade não assume qualquer tipo de natureza angélica, a definição é exatamente aqui que a palavra diz, ou seja, a manifestação de Cristo ou de Deus em forma visível e não uma mirabolante encarnação angelical.” Gostaria de saber onde neguei isso. Na Teofania veterotestamentário, anjo apenas indica a qualidade de mensageiro. “Entender corretamente os conceitos teológicos nos ajuda a não tirar conclusões erradas e possibilita um debate cristalino com aqueles que pensam diferente de nós.” Ora, falta entendimento dos conceitos teológicos tem quem confunde arcanjo com Deus. Quem confunde exegese com eisegese. Quem, diferentemente dos apóstolos, flerta com movimentos heréticos. Quem associa-se com um segmento que diz que o diabo é co-salvador do homem, que Jesus tinha uma natureza pecaminosa, que Jesus perdoa os pecados, mas não os cancela, que Jesus poderia falhar em sua missão redentora. Há mais, muito mais, mas, basta.

No décimo quarto parágrafo meu interlocutor arremata: “Mesmo eu discordando que Miguel seja uma cristofania consigo compreender porque adventistas e outros teólogos fundacionais viram neste arcanjo elementos suficientes para classifica-lo assim.” Alguém aí que tenha lido a réplica, tem mesmo tanta certeza de que Luis Henrique discorda da heresia adventista e dos teólogos fundacionais? Continuo a afirmar que falta a ele coragem e capacidade hermenêutica para defender a ideia e sustê-la.

Desafio Luis Henrique a mostrar abertamente, de modo focado, sem tergiversar, mas apenas tratando disso, usando ferramentas hermenêuticas seguras, os “elementos suficientes” para os hereges chamarem um arcanjo de Deus. Desafio para um trato apenas hermenêutico, maduro, sério das referências de Dn 10:13, 21; 12:1; Jd 9 e Ap 12:1 para vermos onde a boa hermenêutica nos levará.

Melhor, proponho ao meu interlocutor escrever um texto demonstrando por A + B porque ele discorda da conclusão adventista. Sabe no que vai dar meu caro? Você lançará na lata do lixo toda a sua “réplica” e subscreverá meu texto ao qual se propôs a replicar.

Creio que basta. Chego ao fim. Sobre a conclusão de Luis Henrique, dela discordo quanto ao tom e conteúdo. Responde à conclusão dele, os dois textos que escrevi. O primeiro dirigido aos adventistas e o segundo a ele.

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