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Post Tenebras Lux

por · junho 23, 2015

Por Zwinglio Rodrigues

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Reunião do Sínodo de Dort. Fonte: Wikipédia

Introdução

Em minha opinião, o Sínodo de Dort, no tocante às suas aspirações eclesiais e políticas, foi um fracasso. Digo isso baseado em minhas leituras, claro. As fontes que consultei, invariavelmente, falam do Sínodo como o apresento aqui. Um Sínodo politiqueiro, enfraquecido por ausência de apoio antes, durante e depois de sua realização, eivado pelo espírito de violência e tendo que capitular, posteriormente, frente ao arminianismo,  alvo de suas artimanhas. Trevas cobriram o Sínodo. Seu fracasso é o despontar da luz.

Não estou dizendo que o Sínodo não logrou êxito. Ele teve seu momento de glória. O problema é que esta glória foi como nuvem passageira, coisa que seus proponentes jamais desejaram ou previram. “Depurar” a Holanda de sua pluralidade religiosa e teológica, mais notadamente, “purificar” a Holanda do arminianismo em favor da instituição de uma igreja única e presbiteriana, foi um sonho dos calvinistas rígidos envolvidos com poderes políticos déspotas que não se realizou definitivamente. Cerca de seis anos depois de sua realização, políticos, teólogos e ministros, duramente atacados e expulsos da Holanda, retornaram com todos os seus direitos reavidos. O Sínodo não foi montado para gerar resultados tão efêmeros.

Na tentativa de expor isso, a seguir, de modo breve, faço uma apresentação do Sínodo de Dort e, depois, trato de quatro razões para sustentar minha compreensão de que o Sínodo foi um fracasso. As razões são: o pior da política; ausências de apoio; o espírito de violência e o sucesso do arminianismo.

O Sínodo de Dort

Antes das razões, rapidamente entendamos o que foi o Sínodo de Dort.

Ocorrido de 13 de novembro de 1618 a 9 de maio de 1619, na Holanda, o Sínodo de Dort foi convocado pelo estadista geral da Holanda com a finalidade de discutir a controvérsia arminiana. Ele é denominado de “o grande sínodo” (VANCE, 1999). O alto apreço que os calvinistas têm pelo sínodo pode ser dimensionado pelas seguintes palavras comumente citadas por eles: “O calvinismo chegou, Arminius quase arruinou, o Sínodo de Dort o restaurou” (VANCE, 1999, p. 160). Nessa esteira, aponto uma das avaliações referentes ao que foi o sínodo, citando De Jong (2003, p. 52): “Para outros, trata-se do triunfo temporário de um sistema teológico severo e inflexível sobre pessoas amantes da liberdade que precisavam ser sufocados, pois ameaçavam (supostamente) a unidade nacional.” Em minha opinião, devido as leituras feitas, até prove-se o contrário, esta é a melhor maneira de avaliar o que foi o sínodo.

Esta Holanda em questão era plural do ponto de vista religioso e teológico. As províncias eram livres para adotarem a linha teológica com a qual mais se identificavam. Calder (1838, p. 272) diz: “A cada uma das províncias, pelo Tratado de Utrecht, foi dada a liberdade para regular os assuntos de religião da maneira que mais conviesse aos seus interesses”. É nesse ambiente de diversidade teológica que o calvinista rígido Francisco Gomarus, opositor da já falecido Jacó Arminio, tenta impor sobre as províncias seu supralapsarianismo. Como estratagema para sufocar a liberdade religiosa das províncias, Gomarus convence o Príncipe Maurício de Nassau, homem interessado em ascensão política e pronto para qualquer negociação que favorecesse suas aspirações, de que submeter as províncias a apenas uma teologia (o monergismo) era uma estrada para o êxito político. Na tentativa de fazer isso de modo “legítimo”, o Sínodo de Dort é convocado.

Apresentadas essas brevíssimas informações, vamos às razões que me fazem concluir que o Sínodo de Dort foi um fracasso.

Razão 1: O pior da política

Conforme disse acima, o Sínodo de Dort é convocado para ser um instrumento político. Embora houvesse um viés religioso, o Príncipe Maurício de Nassau tinha como interesse a formação de uma assembleia política (RODRIGUEZ, 2013). Um fato que realça essa caracterização de uma assembleia política é a presença de delegados seculares em um sínodo eclesial (VANCE, 1999). Um sínodo eclesial é lugar para delegados leigos? Maurício precisava de amplo apoio para suas incursões políticas, por isso a quarta parte dos convocados era anciãos leigos, dezoito deputados dos Estados Gerais entre outros que não eram clérigos ou teólogos (GONZALEZ, 2004; MAIA, 2009).

O Interesse político do Príncipe era o de “se estabelecer como soberano no norte e visava a reconquistar da Espanha as províncias meridionais” (WALKER, 2006, p. 636). Do lado do Príncipe, ainda nos informa Walker (2004), estava a maioria dos calvinistas que apoiavam suas intenções bélicas, queriam a centralização do governo e defendiam uma política eclesiástica presbiteriana. “Em julho de 16 18 Maurício utilizou a milícia para efetuar um golpe de estado nas principais cidades da Holanda, substituindo os magistrados simpatizantes dos remonstrantes (arminianos) por aqueles favoráveis aos contra-remonstrantes” (WALKER, 2006, p. 636). Maurício sofria oposição de arminianos como o político van Oldenbarnevedelt e o jurista Hugo Grócio, políticos republicanos e favoráveis à trégua com a Espanha no insistente conflito entre norte e sul (WALKER, 2006). A força motriz do Sínodo era a política, a ambição e a vingança.

Calder (1838) é do parecer que o sínodo foi montado apenas por uma questão pró-forma e de sagacidade, pois o veredito já era previsto. Ele compara o Sínodo de Dort com o Concílio de Trento (1545-1563) que decidiu a causa protestante sem antes examiná-la. O que se pretendia em Dort era a todo custo condenar o arminianismo e tecer as redes políticas do Príncipe Maurício.

Nos bastidores tudo já estava decidido para se chegar aos resultados desejados. Quando o partido de Maurício consolidou seu poder em 1618, o Sínodo de Dort foi convocado já certo que devia condenar a posição arminiana (GONZALEZ, 2004). “A condenação foi determinada antes do Sínodo Nacional […]” (CALDER, 1838, p. 270). “O sínodo de Dort, como era de se esperar, condenou o arminianismo” (WALKER, 2006, p. 637). Justiça era o que menos importava em Dort. Por isso Simon Episcopius, líder dos arminianos, declarou: “O Senhor julgará entre nós sobre as artimanhas e mentiras que vocês prepararam para nossa acusação” (VANCE, 1999, p. 177).

Em Dort temos amalgamado o pior da religião (representado por Gomarus) e o pior da política (representado por Maurício). Não é a toa que Vance (1999, p. 176) cita esta fala de Matthias Martinius (1572-1630), um dos delegados do Sínodo: “(havia) alguns divinos, alguns humanos, alguns diabólicos”. Nas disputas de Gomarus com Arminius nota-se o quanto aquele era iracundo e caluniador. No tocante a Maurício, este era de caráter duvidoso, desprovido de domínio próprio e princípios, diz Sir James Mackintosh em seu trabalho History of the Revolution of England (História da Revolução na Inglaterra), de 1688 (apud CALDER, 1838). Pelos perfis, Gomarus e Maurício bem que podem ser aqueles a respeito dos quais Martinius disse: “alguns diabólicos”.

Razão 2: Ausências de apoio

Províncias não apoiam ao Sínodo

Dado o caráter plural das províncias no tocante às questões religiosas, conforme já apontei, três delas, tendo como amparo o Tratado de Utrecht, se posicionaram contra o Sínodo de Dort. Calder (1838) diz quais foram essas províncias: Utrecht, Roterdã, Holanda e Overyssel. Estas províncias não estavam dispostas a ceder ao partido monergista de Gomarus – ao qual aderiu Maurício por conveniência política – o controle da igreja holandesa.

O Sínodo perde apoio em seu interior

Noutro momento o enfraquecimento do Sínodo ocorre no âmago dele. De acordo com Jackson (2010), alguns calvinistas aderiram ao arminianismo. O autor cita John Hales, teólogo inglês, Thomas Goad, clérigo inglês e Daniel Tilenus, professor e ex-calvinista rígido. Uma extraordinária quebra de unanimidade. Considero isso uma obra do Vento (Jo 3:8).

Antes do Sínodo sentenciar os arminianos, estes já tinham sido depostos de seus ministérios e removidos de suas igrejas enquanto a causa deles ainda estava pendente. Isso gerou indignação em alguns teólogos estrangeiros que recebiam os arminianos com muita gentileza e cortesia contrariando o espírito amargurado e politiqueiro de Gomarus e do Príncipe Maurício (CALDER, 1838).

A Inglaterra não apoia o resultado do Sínodo

O desfecho doutrinário do Sínodo de Dort deixou o Rei Tiago da Inglaterra perplexo. O Rei, que enviou delegados para o Sínodo, desagradou sobremaneira da doutrina da predestinação fixada por Dort. Segundo Vance (1999, p. 312), o Rei Tiago taxou a doutrina de horrível e disse sobre o Sínodo:

Se houvesse um concílio de espíritos imundos reunidos no inferno, e seu príncipe o diabo fosse colocar a questão a todos eles em geral, ou a cada um em particular, para aprender sua opinião sobre o meio mais provável de incitar o ódio dos homens contra Deus seu Criador; nada poderia ser inventado por eles que seria mais eficaz para este propósito, ou que poderia colocar uma afronta maior sobre o amor de Deus pela humanidade, do que esse infame decreto do recente Sínodo.

O Rei compreende que um resultado como esse do Sínodo nem o diabo era capaz de engendrar.

Um Sínodo, acerca do qual disseram “se alguma vez o Espírito Santo esteve presente em um Concílio, ele esteve presente em Dort” (apud VANCE, 1999, p. 175 – não cita o autor), bem que poderia ter a marca de apoio irrestrito e incondicional que encerrou o Concílio de Jerusalém (50 d.C): “[…] pareceu bem ao Espírito Santo e a nós […]” (At 15:28). Mas, não é o caso.

Razão 3: Espírito de violência

Não dá para dizer que o Sínodo de Dort não logrou êxito. O poder despótico teve sucesso. Mas isso só foi possível por causa dos arranjos políticos, como já indiquei. Tais arranjos foram costurados sob a batuta da politicagem. Gomarus e Maurício precisavam trocar favores e atender interesses pessoais. Disso não poderia resultar outra coisa senão ações violentas. O Sínodo conseguiu condenar lideranças arminianas e asfixiou a liberdade religiosa.

Os arminianos esperavam uma tratativa fraterna por parte do Sínodo, mas, isso não ocorreu (RODRIGUEZ, 2013). Banimentos, prisões, espoliações e até assassinatos em nome do Sínodo foram levados a efeito. O caso mais cruel envolveu o estadista e cristão van Oldenbarnevedelt decapitado em 13 de maio de 1619. van Oldenbarnevedelt era um homem influente e Maurício tentou algumas vezes ganhar seu apoio político. “Os arminianos eram apoiados por João van Oldenbarneveldet (1547-1619), líder civil da província da Holanda e o personagem dominante nos Estados Gerais das Províncias Unidas” (WALKER, 2006, p. 636).

A razão precípua do antagonismo entre o Príncipe Maurício e van Oldenbarnevedelt é que, conforme já disse, este último era favorável à assinatura de um tratado de paz com a Espanha, coisa que Maurício rechaçava. O Príncipe, comandante dos exércitos, sabia que com a assinatura do tratado perderia poder, pois uma vez cessada a guerra, a dispensa dos exércitos fatalmente ocorreria. van Oldenbarnevedelt queria paz e descanso para a Holanda e em 1609 a chamada trégua dos doze anos foi assinada. É a partir desse marco que Maurício se torna inimigo de van Oldenbarnevedelt assassinando-o posteriormente. O assassinato do ancião serviu como o selo de sanção dos trabalhos do Sínodo (CALDER, 1838).

Rodriguez (2013) informa que um total de 200 ministros arminianos foram depostos de seus cargos; 70 fizeram um acordo para deixarem seus ministérios guardarem silêncio; 80 foram exilados e muitos líderes políticos tiveram seus bens confiscados. Isso era tudo que Gomarus e Maurício desejaram.

Para um Sínodo considerado como dirigido pelo Espírito Santo, tal circo de horrores jamais poderia ter armado seu picadeiro. Aqui, calvinistas em Dort seguiram Calvino à risca. O reformador, de acordo com o historiador luterano J. H. Kurtz, inaugurou em Genebra “um reinado inquisitorial de terror” (apud CHAMPLIN, 2008, p. 607). Absurdo!

Antes que me acusem de anacronismo, informo que não estou retratando esses acontecimentos em Genebra e em Dort partindo de uma análise calcada em nosso tempo e sem levar em consideração o contexto e os costumes. O que faço é apontar tais atrocidades em tom de reprovação comparando-as com as Escrituras, cujos preceitos e mandamentos devem ser observados em qualquer época, contexto e tendo a primazia sobre costumes.

No Sínodo de Dort, a lei do amor (Mt 5:44), sinal inconteste da mais profunda espiritualidade, foi preterida. Ali foi desconsiderada toda e qualquer ética da reciprocidade (Lc 6:31). Por isso, Matthias Martinius disse: “(havia) alguns divinos, alguns humanos, alguns diabólicos”. O tipo de pessoas às quais o Sínodo perseguiu eram adeptas de uma piedade intelectual e ética (WALKER, 2006) Visto que devem ser as Escrituras o guia de comportamento dos crentes em todas as épocas e lugares, e em todas as circunstâncias, e isso nenhum cristão autêntico nega, o conceito de anacronismo é irrelevante, dispensável.

Fica o lembrete: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6).

Razão 4: O sucesso do arminianismo

Apesar desses efeitos devastadores do Sínodo, cujo corpo sinodal era parcial e, por conseguinte, sem autoridade moral para deliberar a respeito da questão arminiana, os arminianos não demoraram a se livrar das injustiças do Sínodo. Após a morte de Maurício de Nassau em 1625, Frederick Henry, irmão de Maurício, assumiu o lugar do Príncipe e concedeu aos arminianos exilados o direito de retornarem ao país. Cinco anos depois da morte de Maurício, em 1630, foi concedido a eles o direito para seguirem sua religião. Todas as acusações contra os arminianos foram suspensas e ficaram no papel (WALKER, 2006). O historiador Nichols (2004, p. 181) escreveu: “Mas o ensino destes (arminianos) foi vitorioso na Holanda e se espalhou por toda a Inglaterra e, depois, na América”. Cueva (2008, p. 71) comenta o alcance do arminianismo após a forte e contundente resistência do Sínodo: “Os teólogos ingleses foram receptivos ao arminianismo, incorporando-o à teologia inglesa posterior do anglicanismo, como do metodismo, o que favoreceu sua divulgação universal de modo eficaz.”

O fato é que o espírito de violência antes e depois do Sínodo de Dort não foi capaz de deter o arminianismo. Ele triunfou! As Igrejas Batista Gerais de John Smyth e Thomas Helwys, em 1612, foram influenciadas pelo arminianismo através dos menonitas em Amsterdã. Os Cinco Artigos Remonstrantes, síntese da soteriologia arminiana, foram publicados em Leyden 1629 e em Frankfurt em 1631 e 1635. O arminianismo também triunfou em Bremen, Brandenburg e Genebra (CALDER, 1838). Em 1795, a Igreja Remonstrante foi oficialmente reconhecida e permanece até o dia de hoje. Um Seminário Teológico Remonstrante foi fundado por Simos Episcopius e Hugo Grócio. A evolução do arminianismo na Holanda, depois do Sínodo, aconteceu sob a liderança de H. Uyttenbogaert, Simon Episcopius e Hugo Grócio. Movimentos restauradores como as Igrejas de Cristo, século XIX, também adotaram a teologia arminiana. Enfim, o arminianismo fincou raízes na Holanda e extrapolou fronteiras.

Cumpriu-se o lema de Calvino que tomo agora por empréstimo: Post Tenebras Lux (Depois das trevas, a luz)

Conclusão

Evidente que esse brevíssimo texto é um pingo no oceano da historiografia envolvendo o Sínodo de Dort. As fontes lidas apresentam muitas informações não contidas aqui. Um número grandioso de estudiosos que tratam do assunto não foi consultado. Estou ciente. Também sei que são diversos os modos de percepção a respeito do Sínodo e que eles não podem estar contemplados nesse texto. No entanto, estou convencido o quanto as informações ora apresentadas condizem com os fatos e elas, per se, contrariam qualquer tentativa de dar ao Sínodo ares de espiritualidade nos melhores moldes bíblicos e ainda demonstram seu fracasso de modo eloquente.

Referências

CALDER, Frederick. Memoirs of Simon Episcopius. London, 1838.

CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 1. São Paulo: Hagnos, 2008.

CUEVA, Francisco Lafarga. Diccionario Teológico Ilustrado. Barcelona – ES, Editorial Clie, 2008.

DE JONG, Pedro Y. El Surgimiento de Las Iglesias Reformadas em lós Países Bajos. In: DE LA SIENRA, Adolfo García. El Pensamiento Reformado. uma antologia. XALAPA, 2003, p. 67.

GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão: da Reforma protestante ao século 20. Vol. 3. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

JACKSON, Kevin. Calvinistas que se Tornaram Arminianos em Dort. Disponível em Personaret Acesso 23 jun. 2015. Aqui o leitor poderá encontrar as fontes primárias.

MAIA, Hermisten. A Ortodoxia Protestante e as Confissões Protestantes. Estudo ministrado na Escola Dominical da Igreja Presbiteriana em São Bernardo do Campo, SP, 2009. Formato PDF.

NICHOLS, Robert H. História da Igreja Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.

RODRIGUEZ, José C. Jacobo Arminio: vida, pensamiento y legado. Lenexa, Kansas, USA: Casa Nazarena de Publicaciones USA-Canada, 2013.

VANCE, Laurence. O Outro Lado do Calvinismo. 1999. Formato PDF.

WALKER, Williston. História da Igreja Cristã. São Paulo: ASTE, 2006.

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