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Falsos Apóstolos

por · abril 30, 2015

Por Zwinglio Rodrigues

O beijo de Judas.

O beijo de Judas.

A igreja de Éfeso provavelmente foi fundada por Áquila e Priscila. Ali, o apóstolo Paulo esteve por duas vezes sendo quem em uma destas trabalhou por lá pelo período de dois anos (At 19:10).

Mais tarde, o trabalho desenvolveu-se junto com a liderança de Timóteo que tinha como atividade principal opor-se às falsas doutrinas (1ª Tm 1:3). Irineu de Lion e Eusébio de Cesaréia chamavam Éfeso de lar do idoso João, o apóstolo. De fato, João fez desta cidade a sua base de operações.

Mais ou menos quarenta anos depois da fundação da igreja de Éfeso encontramos Jesus Cristo enviando-lhe uma mensagem (Ap 2:1-7).

Esta igreja não era perfeita, evidentemente (Ap 2:4). No entanto, ela era uma das mais vigorosas comunidades cristãs do Novo Testamento. As elevadas revelações da Epístola aos Efésios escrita pelo apóstolo Paulo por volta do ano 61 d.C. atestam isso. Provavelmente seja esta a razão daquela comunidade não estar disposta a negociar com “homens maus” conforme atesta o Senhor Jesus (Ap 2:2). É esta referência positiva que me interessa nesse instante.

Estes “homens maus” são chamados também de “mentirosos”. Tais homens foram assim rotulados porque “a si mesmos se declaram apóstolos” coisa que não eram. Não sabemos com certeza a identidade desses filhos do pai da mentira. Alguns estudiosos opinam que eles são os mesmos “nicolaítas” citados no versículo seis, porém, isso é irrelevante para meu objetivo nesse instante.

Meu destaque aqui é a capacidade dos crentes efésios em reconhecer um falso apóstolo e sua bravura em resisti-los. É sabido que Inácio de Antioquia elogiou-os porque eles não eram condescendentes com os falsos ensinos e seus mensageiros. Fazia parte do dna da igreja de Éfeso o combate aos mentirosos. O Concílio de Éfeso, no ano 431, reunido para discutir e condenar a nefasta cristologia de Nestório, demonstra como esta comunidade era resistente aos falsos mestres.

Os cristãos efésios não se intimidavam com os títulos daqueles que se apresentavam à comunidade. Em seu claro elogio a igreja Jesus ressalta o fato deles colocarem à prova os autointitulados apóstolos: “[…] puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos […]. Por à prova significa testar, examinar. Sem dúvida tal teste ocorria por meio de análises e arguições doutrinárias. Provar os espíritos era uma prática comum da igreja primitiva (1ª Jo 4:1). O dom de discernimento de espíritos (1ª Co 12:10) era um instrumento que auxiliava os primeiros cristãos na luta contra a sutileza dos falsos apóstolos. O teste prático também fazia parte desse confronto. Questionava-se: a vida moral desses autodeclarados apóstolos condiz com o Evangelho? Resoluta e corajosamente, os cristãos da igreja de Éfeso enfrentava os pseudo apóstolos e não comungava com eles, mas, irmanada do ponto de vista eclesiástico, retirava esses sujeitos da comunidade dos santos.

Em dias tão tormentosos como o nosso pulsa em meu coração o desejo de ver uma igreja que não se intimide em resistir e denunciar alguns [são muitos] dos atuais mentirosos autointitulados apóstolos. Não é difícil detectar quem são os falsos. Basta ler o que eles escrevem, ouvir o que eles falam e observar se suas vidas estão sendo marcadas por uma revolução moral contínua que o poder do Evangelho é capaz de operar. Certamente será embaraçoso para aqueles que prescindem da voz do Espírito Santo em favor da verborragia dos falsos apóstolos alcançar esse discernimento. Note que em Éfeso quem resistia aos apóstolos mentirosos eram os crentes, mas quem os declara como não sendo apóstolos é o Senhor Jesus Cristo (Ap 2:2). O que isso revela? Harmonia entre os servos e seu Senhor. Sensibilidade espiritual, profundidade doutrinária, preservação da fé entregue aos santos de uma vez por todas (Jd 3).

Há muitos líderes apostólicos por aí que já foram declarados como não sendo “apóstolos do Cordeiro”. Eles não estão longe de nós e não são nossos desconhecidos. Podemos encontrá-los na próxima esquina da nossa cidade.

Estamos acostumados a tentar imitar os bereanos que conferiam junto às Escrituras as coisas ditas por Paulo e Silas (At 17:11). Esta é uma atitude correta. No entanto, frente aos falsos apóstolos, precisamos atuar para além da ação dos bereanos, pois não é suficiente conferir suas prédicas e práticas com a Bíblia. É necessário rejeitá-los objetivamente de modo que fique patente que eles não são membros legítimos da comunidade cristã. É preciso resisti-los sem medo de possíveis ameaças e imprecações, pois maior é o que está conosco. Foi o que fizeram os efésios. É o que devemos fazer.

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